Um bom bônus pode esticar sua banca e deixar a sessão mais longa. Um bônus ruim consome tempo, reduz suas chances de lucro e ainda restringe sua forma de jogar. A diferença entre um e outro raramente está no banner chamativo; está nas letras pequenas. A seguir, você aprende um método direto para decidir, em minutos, se vale a pena aceitar um bônus — com contas simples, exemplos reais e um checklist de verificação.

1) Tipos de bônus: a estrutura muda tudo
Antes da matemática, entenda qual é o tipo de oferta. O “como” o bônus funciona determina o custo real de completar o rollover.
- Depósito igualado (match): você deposita e recebe um percentual extra (ex.: 100% até R$ 200). Pode ser sticky (o saldo de bônus não se converte em dinheiro livre; fica “grudado” até o rollover) ou non-sticky (também chamado de “parachute”: primeiro você joga com o saldo real; só se ele zerar o bônus é ativado).
- Bônus sem depósito: valor pequeno, geralmente com rollover alto e limite de saque baixo. Bom para testar o site, raramente bom para lucro consistente.
- Rodadas grátis (free spins): valor por giro definido (ex.: 50 giros de R$ 1). O que importa é o valor efetivo (número de giros x valor por giro) e o rollover sobre os ganhos dessas rodadas.
- Cashback/seguro: devolução de uma fração das perdas. Em geral, tem menos amarras e oferece “cushion” em sessões ruins.
2) Os termos que realmente importam (e por quê)
Leia sempre o regulamento, mas priorize estes pontos:
- Rollover (wagering): quantas vezes você precisa apostar antes de liberar o saldo. Pode incidir sobre o bônus somente ou sobre bônus + depósito.
- Contribuição por jogo: jogos não pagam igual para o rollover. Slots costumam valer 100%; jogos de mesa, muito menos.
- Aposta máxima permitida: limite por rodada enquanto o bônus estiver ativo. Exceder cancela ganhos.
- Limite de saque (max cashout): teto de retirada de ganhos vinculados ao bônus. Se existir, reduz o valor esperado.
- Prazo: vencimento do bônus e das rodadas grátis.
- Jogos excluídos e RTP: alguns títulos não contam para o rollover ou têm RTP reduzido em modo bônus.
- Non-sticky versus sticky: no modelo non-sticky, o bônus funciona como um “seguro” e pode aumentar bastante o valor esperado.
Exemplo de contribuição típica por tipo de jogo
| Tipo de jogo | Contribuição para rollover |
|---|---|
| Slots elegíveis | 100% |
| Roleta | 10%–20% |
| Blackjack / Vídeo Pôquer | 5%–10% |
| Jogos ao vivo | 0%–10% (varia bastante) |
3) Cálculo rápido do valor esperado (EV) de um bônus
A regra prática: avalie o ganho imediato do bônus e subtraia a perda esperada durante o cumprimento do rollover. A perda esperada deriva da desvantagem da casa (1 − RTP) multiplicada pelo volume total de apostas exigidas.
3.1 Formulação simples
- Se o rollover for sobre o bônus apenas: Total de apostas = (Rollover) × (Valor do bônus).
- Se for sobre bônus + depósito: Total de apostas = (Rollover) × (Depósito + Bônus).
Perda esperada ≈ (1 − RTP) × (Total de apostas).
EV ≈ Bônus − Perda esperada − Ajustes (ex.: limite de saque, contribuições parciais, jogos excluídos).
3.2 Exemplo 1 — 100% até R$ 200, rollover 30x bônus (slots 100%)
Você deposita R$ 200 e recebe R$ 200 de bônus. Rollover só sobre o bônus. Suponha que os slots elegíveis tenham RTP médio de 96%.
- Total de apostas exigidas = 30 × 200 = R$ 6.000
- Desvantagem da casa = 1 − 0,96 = 0,04
- Perda esperada no processo = 0,04 × 6.000 = R$ 240
- EV ≈ 200 − 240 = −R$ 40
Nesse formato, a expectativa é negativa. Você ganha tempo de jogo, mas, matematicamente, tende a perder parte do depósito.
3.3 Exemplo 2 — Mesmo bônus, rollover 10x bônus
- Total de apostas = 10 × 200 = R$ 2.000
- Perda esperada = 0,04 × 2.000 = R$ 80
- EV ≈ 200 − 80 = +R$ 120
Agora, a expectativa é positiva. Rolllovers mais baixos têm impacto gigantesco no resultado final.
3.4 Quando o rollover é sobre bônus + depósito
Se o rollover de 30x incidir sobre R$ 400 (bônus + depósito), total de apostas = 12.000; perda esperada = 0,04 × 12.000 = R$ 480; EV ≈ 200 − 480 = −R$ 280. Muito pior.
3.5 Non-sticky: o “parachute” que muda o jogo
No formato non-sticky, você joga primeiro com o saldo real. Se ganhar, pode sacar e ignorar o bônus; se perder o saldo real, o bônus é ativado e começa o rollover. Esse “opcional” reduz bastante a desvantagem, pois você só entra no modo de rollover quando a sessão já virou contra você. Como regra de bolso: non-sticky com rollover baixo (≤ 10x do bônus) e sem limite de saque tende a ter EV muito interessante.
4) Rodadas grátis: valor real e pegadinhas
O valor nominal de rodadas grátis é simples: Número de giros × valor por giro. Ex.: 100 giros de R$ 1 = R$ 100 de valor bruto. Porém, o retorno depende do RTP do jogo e do rollover sobre os ganhos.
Suponha RTP de 96% e rollover 20x sobre os ganhos obtidos. Ganho esperado das rodadas ≈ R$ 96. Se todo esse ganho precisar rodar 20x em slots de 96%:
- Total de apostas para liberar ≈ 20 × 96 = R$ 1.920
- Perda esperada nesse processo ≈ 0,04 × 1.920 = R$ 76,80
- EV das rodadas ≈ 96 − 76,80 = R$ 19,20
Se houver limite de saque (ex.: máximo R$ 100), o EV cai mais. Rodadas grátis são úteis para conhecer títulos e, às vezes, valem a pena, mas a matemática precisa fechar.
5) Gestão de banca durante o rollover
Mesmo quando o EV é positivo, você pode quebrar antes de concluir o requisito, por variância. Três cuidados práticos:
- Tamanho de aposta: mantenha cada giro entre 0,5% e 2% do seu saldo durante o rollover. Se a aposta máxima do bônus for R$ 10, respeite o limite.
- Escolha de jogos: priorize slots com RTP ≥ 96% e volatilidade média. Volatilidade muito alta aumenta risco de falência antes de completar o requisito.
- Nada de progressões: sistemas de martingale e afins ignoram o limite de aposta e ampliam o risco de banimento e perda do bônus.
6) Checklist de avaliação (2 minutos)
- Rollover incide sobre bônus ou bônus + depósito?
- Qual a contribuição por jogo? Slots valem 100%?
- Existe limite de aposta? Qual?
- Há limite de saque? Qual o teto?
- Prazo é suficiente para o seu ritmo de jogo?
- Há jogos excluídos ou RTP reduzido em modo bônus?
- O bônus é sticky ou non-sticky?
- Faça a conta do EV: bônus menos (1 − RTP) × total de apostas. Ainda vale?
7) Exemplo completo, passo a passo
Oferta hipotética: 50% até R$ 300, rollover 20x bônus, slots 100%, aposta máxima R$ 10, prazo 10 dias, sem limite de saque, formato non-sticky. Você deposita R$ 300 e, se ativar o bônus, recebe R$ 150.
- Total de apostas exigidas (se o bônus for ativado): 20 × 150 = R$ 3.000.
- RTP alvo: 96,5% (desvantagem = 3,5%). Perda esperada ao cumprir = 0,035 × 3.000 = R$ 105.
- EV nominal do bônus = 150 − 105 = R$ 45.
- Como é non-sticky, você tenta multiplicar o saldo real primeiro. Se bater uma boa vitória cedo, pode sacar e ignorar o rollover. Isso melhora o EV efetivo e reduz o risco de quebrar.
- Gestão: com saldo inicial R$ 300, aposte entre R$ 1,50 e R$ 6 por giro. Respeite o limite máximo de R$ 10.
Resultado: oferta com expectativa positiva e termos saudáveis. Vale considerar, desde que você controle o stake e use slots elegíveis com bom RTP.
8) Construindo uma planilha rápida de decisão
Você pode tomar a decisão em menos de 3 minutos com uma planilha simples:
- Células de entrada: depósito, percentual e teto do bônus, tipo (sticky/non-sticky), rollover e base (bônus ou bônus+depósito), contribuição, RTP do jogo, limite de saque.
- Calcule o valor de bônus esperado: min(deposito × percentual, teto).
- Calcule o total de apostas: rollover × (base). Ajuste pela contribuição: se a contribuição for 50%, o volume real de apostas do jogo precisa dobrar.
- Perda esperada: (1 − RTP) × total de apostas ajustado.
- EV preliminar: bônus − perda esperada. Se houver limite de saque, trunque o EV ao teto; se non-sticky, registre o EV como “melhor caso” e, se possível, anote um “pior caso” assumindo que o bônus será ativado.
9) Sinais de alerta
- Rollover sobre bônus + depósito com múltiplos altos (≥ 30x) — custo real elevado.
- Contribuição de slots abaixo de 100% — você precisará apostar muito mais do que imagina.
- Limite de saque apertado (ex.: 5× o valor do bônus) — neutraliza EV positivo.
- Aposta máxima muito baixa (ex.: R$ 5) — dificulta cumprir o prazo com banca alta.
- Lista extensa de jogos excluídos — pode forçar RTP menor.
- Termos vagos ou escondidos — risco de conflitos no saque.
10) Onde comparar promoções com transparência
Plataformas como casino B7 costumam apresentar termos-chave lado a lado (rollover, contribuição, aposta máxima, prazo). Isso facilita aplicar o método acima: você coleta os dados, joga na sua planilha e sabe na hora se a oferta é boa ou apenas barulhenta.
11) Vídeo de apoio: entendendo RTP e volatilidade
Se estes conceitos ainda soam abstratos, assista ao vídeo abaixo. Ele ajuda a ajustar a expectativa e a calibrar sua gestão de banca durante o rollover.
12) Dicas finais de execução
- Salve um print dos termos antes de aceitar o bônus; se houver divergência, você tem prova.
- Verifique KYC (verificação de identidade) cedo. O ideal é validar a conta antes de completar o rollover para evitar atrasos no saque.
- Escolha 2–3 slots elegíveis com RTP sólido e volatilidade moderada. Alterne quando sentir streaks ruins, mas não mude para jogos excluídos.
- Use um contador simples: anote volume de apostas já realizado vs. exigido; evita surpresas de prazo.
- Se o bônus for non-sticky e você subir bem com saldo real, avalie seriamente encerrar a sessão e sacar. “Ganhos realizados” valem mais do que EV teórico.
Conclusão
Você não precisa de cálculos complexos para separar ofertas boas das ruins. Identifique o tipo de bônus, capture 7 dados (rollover, base do rollover, contribuição, aposta máxima, limite de saque, prazo, RTP), rode a conta simples do EV e verifique se o formato favorece sua estratégia (non-sticky, de preferência). Com uma planilha leve e disciplina no stake, bônus deixam de ser loteria e viram ferramenta — às vezes, de valor positivo — para prolongar a sessão e, ocasionalmente, melhorar o resultado final.